O publicitário Fernando Barros, presidente de uma das maiores agências de publicidade do país (16ª no ranking nacional, segundo o Ibope Monitor), oficializou no início da noite da segunda-feira, 8 de fev., a adesão da Propeg à campanha Afirme-se! A Propeg vai criar, produzir e colocar em diferentes mídias os anúncios que defendem a constitucionalidade das ações afirmativas no Brasil.
A agência entra como parceira, abrindo mão da prestação de serviços de criação e de mídia. Se fosse cobrar a preços de mercado não sairia por menos de R$ 200 mil, valor que deve ser contabilizado como contrapartida do Omi-Dùdú para o projeto. Dados orçamentários apresentados na reunião demonstram que a veiculação do anúncio em 4 jornais e em outdoor ficaria em torno de R$ 800 mil (veja abaixo).
Fernando Barros recebeu na sede da empresa, em Salvador, o presidente do Omi-Dùdú, Bartolomeu Cruz, e Fernando Conceição, coordenador da campanha, em reunião que durou pouco mais de meia-hora. Participaram também Alexandre Augusto, vice-diretor executivo, e Vítor Barros, da equipe de atendimento da agência.
Barros declarou que vai mobilizar as redes de rádio BandNews e CBN (unicamente de notícias) para que veiculem um “spot” (publicidade radiofônica) da campanha. Um filmete em VT também será criado e produzido, para ser exibido no Internet e, em princípio, nas emissoras de TV do Senado, da Câmara dos Deputados e mesmo na TV Justiça, informou o publicitário.
Uma das decisões tomadas na reunião é não investir em outdoor neste momento. “Vamos nos concentrar nos 4 jornais impressos, nas rádios e no VT, que atingem melhor os 11 ministros do STF”, argumentou o presidente da Propeg.
As equipes de atendimento, criação e produção da Propeg se comprometeram a apresentar uma versão do material produzido logo depois do Carnaval. Fernando Barros ficou ainda de tentar buscar colaboradores que possam se interessar em doar parte da verba necessária para veiculação do material a ser criado.
Se você é a favor das cotas, não pode deixar de colaborar com essa campanha. Já sofremos um duro golpe com a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial totalmente esvaziado, e sofreremos mais outro se não agirmos rápido.
AFIRME-SE TAMBEM NO CARNAVAL!!!
PELA MANUTENÇÃO NO STF DAS POLÍTICAS DE AÇÃO AFIRMATIVA
Banco Itaú
Conta corrente: 65.354-9 / Agência: 0061
DOE QUANTO PUDER POR DEPÓSITO OU TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA. O FUNDO BRASIL DE DIREITOS HUMANOS É RESPONSÁVEL PELA CONTA. TODO O RECURSO DOADO SERÁ EXCLUSIVAMENTE PARA PAGAMENTO DOS FORNECEDORES DA CAMPANHA (JORNAIS, RÁDIOS ETC), A PARTIR DE DEFINIÇÃO DE AUTORIZAÇÃO DE PAGAMENTO DA AGÊNCIA PROPEG DE PUBLICIDADE.
IMPORTANTE: 160 mil pessoas doando apenas R$ 5 cada, de uma única vez, ajudariam a alcançarmos nossa meta e pagar por essa campanha histórica do movimento social.
Prezado(a) Representante de Entidade/Instituição do Movimento Social, Movimento Negro, Movimento Indígena, Movimento Homossexual, Movimento Quilombola e demais:
Como é do vosso conhecimento, o Supremo Tribunal Federal (STF) pautou para os dias 3, 4 e 5 de março próximo o inicio das discussões para julgar a continuidade ou a extinção das políticas de ação afirmativa (cotas etc) recentemente adotadas por algumas instituições no país. Está em risco a expectativa de milhões de brasileiros.
Do resultado deste julgamento pode resultar o fim de todas as conquistas obtidas nos últimos anos pelo movimento social, pelo movimento negro, pelo movimento indígena, pelos quilombolas, pelo movimento homossexual – na medida em que, se a maioria dos 11 ministros do STF decidir que políticas de ação afirmativa são inconstitucionais no Brasil, tais políticas não poderão mais existir.
É um momento grave, ainda mais porque toda a grande mídia brasileira tem se posicionado contra as ações afirmativas, tentando com isso influenciar a opinião pública, o Congresso Nacional, os juízes e outras instâncias para que cotas e outras políticas similares sejam extintas.
Diante da gravidade da discussão, estamos propondo uma campanha afirmando a constitucionalidade de tais políticas. De modo especifico, sem prejuízo de outras iniciativas, a proposta é de uma campanha publicitária a ser feita em veículos da grande mídia nacional e em placas de outdoor espalhadas por 8 grandes capitais brasileiras, às vésperas das datas marcadas pelo STF.
Para debater e saber como sua instituição pode participar, contamos com sua presença nesse momento importante de nossa história.
A mídia vem a todo o momento nos confundir em relação ao que se refere “liberdade de expressão”, pois vimos vários comunicadores que se dizem profissionais proferirem argumentos tendenciosos para devidos temas, debates e discussões sociais, e classificarem os seus próprios julgamentos e interesses como opinião pública, será que isto seria mesmo a tal “liberdade de expressão” que eles tanto prezam? Observamos muitos noticiários e programas sensacionalistas destoando as informações diante dos pontos de vista individualistas e quando são reprimidos pela opinião pública através de representações da sociedade civil, eles recorrem a própria se justificando por meio de argumentos facciosos defendendo um único interesse que não é o público e sim o privado.
Segundo a nossa constituição a liberdade de expressão é o direito de manifestar livremente opiniões, idéias e pensamentos. É um conceito basilar nas democracias modernas nas quais a censura não tem respaldo moral. Já a liberdade de imprensa é um dos princípios pelos quais um Estado democrático assegura a liberdade de expressão aos seus cidadãos e respectivas associações, principalmente no que diz respeito a quaisquer publicações que estes possam pôr a circular. Pelo que podemos entender a liberdade de imprensa deve garantir a liberdade de expressão, ou seja, fazer valer a opinião pública e os seus interesses, mas o que acontece é justamente o contrário, a mídia inverte os papéis colocando a liberdade de expressão (interesse público) como um canal viabilizador da liberdade de impressa (interesse privado).
No fim de 2009 foi promovido a Conferência Nacional de Comunicação, evento do qual a mídia brasileira (grandes emissoras de rádio e TV) se negaram a participar, exceto o grupo BAND. Como se ainda não bastasse a abstenção por parte das emissoras, a Rede Globo fez declarações sem nenhuma pertinência em relação a temática, mais uma vez utilizando a tal “liberdade expressão” ,deles, para justificar o boicote a um movimento que é oriundo da sociedade civil, movimentos sociais e da própria opinião pública, a qual eles dizem defender os interesses. Antes mesmo destes acontecimentos, a mídia já se colocara contra o advento da TV Digital, alegando mais uma vez os interesses público através da “liberdade de expressão”, sendo que a tecnologia vem com a proposta de democratizar a mídia, pluralizando a diversidade e multiplicando os números de canais e programas, tendo como principal objetivo garantir a interatividade e direito de escolha da população, talvez estas conquistas e avanços não sejam interessantes pra mídia, uma vez que, o consumidor vai ter muito mais informações e poder de decisão dentro dos seus processos de escolha.
Portanto a liberdade de expressão é muito mais do que transmitir a informação, ultrapassa as relações entre o meio e a mensagem, pois prioriza a ligação entre o emissor e receptor, ambos respeitando as suas cognitividades, visões de mundo e juízo de valor.
Eu queria era ver Castro Alves na rua vivinho da silva, fazendo comício, falando pras massas, dizendo que o negro é também ser humano e que pode viver como outro qualquer.
Castro Alves que teve o coração afinado pela dor e a revolta dos oprimidos e fracos, que amou as judias e lutou pelo escravo.
Castro Alves que ergueu sua voz para o mundo como um rastro sonoro de protesto à barbárie.
Castro Alves, o poeta que com o povo cresceu e para o povo viveu, escreveu e falou, e que foi o flagelo do preconceito de raças.
Eu queria era ver Castro Alves na rua vivinho da silva, porque ele hoje seria um chicote vibrando chicotadas mortais no focinho do fascismo.
Há de salientar o incidente que ocorreu com o Artista Plástico Robson Dias, do qual foi vítima de abuso de autoridade por parte de policiais militares, nesta quinta feira, dia 28.01.2010.
Segundo o relato do Artista Plástico, ao tentar passar perto de onde estava havendo uma operação policial próxima à casa de espetáculos Cais Dourado, foi abordado por aqueles agentes e chamado de palhaço.
Inconformado com tamanha arrogância, o artista plástico Robson Dias contestou a maneira como os policias se dirigiam a ele e a partir daí começou o pesadelo: ele foi revistado, algemado, jogado na viatura, sendo levado ao “som de pneus cantando na pista”, sendo submetido a tortura psicológica e física , por estar ‘chacoalhando’ no fundo de uma viatura que fez um longo passeio, fazendo diversas manobras como “cavalos de pau” , freadas bruscas, passando em alta velocidade por buracos e culminando na sua condução à Delegacia de Polícia.
Fica aqui o manifesto de indignação e repulsa com o ato arbitrário e animalesco que os policias militares fizeram àquele cidadão de bem inocente e que nada fez para receber tratamento tão desumano e humilhante, sendo submetido à violência física e psicológica.
Esses agentes públicos inescrupulosos, que se utilizam da farda e do poder que lhe é delegado pelo ente público do Estado, agem de maneira violenta e arbitrária tratando os cidadãos como se fossem animais. Aliás, nem os animais merecem tratamento indigno.
O que se vê, na verdade, é uma polícia repressora, com métodos antiquados ( manual obsoleto da época da ditadura) e anti sociais, que atemorizam a população, muitas vezes, mais do que os bandidoscontra os quais deveriam realmente combater. Em vez de utilizarem a atribuição principal que é proteger o cidadão, agem de forma terrorista.
A chamada “abordagem para averiguação”, considerada inconstitucional pelos mais renomados juristas do Brasil, atropela o preceito constitucional da presunção de inocência do cidadão com a máxima de que : “ até prova em contrário , todo mundo é culpado”. Ou melhor, como se diz na linguagem policialesca: “são suspeitos”.
Título este que foi ‘imputado’ por um tenente da PM ao jovem agente da polícia civil vitimado com 4 tiros por aquele Oficial, numa abordagem ( que segue o modelo das regras contidasnomanual de treinamentoda PM) , ondea vitima, apenas por tentar mostrar sua identidade funcional, fora alvejado pelas costas, após já imobilizado e sob os calibres apontados dos 4 policias que participaram da operação no ano passado.
Tem que haver denúncia contra esses “agentes” que jamais deveriam estar representando o Estado, muito pelo contrário, deveriam ser expulsos da corporação por prática de abuso de autoridade, tortura física e psicológica, atentado contra a dignidade da pessoa humana, causando danos psicológicos, quando não físicos e, muitas vezes, a morte sumária contra cidadãos inocentes.
Mas existem “remédios” contra esses excessos cometidos por esses maus agentes que podem ser representados junto ao Ministério Público, enquadrados na Lei nº 4898/65 (Lei de Abuso de Autoridade), além dos contidos no Código Penal Militar, dentre outras legislações pertinentes (responsabilidade penal do agente), além da ação de reparação civil contra o Poder Público (responsabilidade civil do Estado).
Mas antes, deve haver uma mudança na mentalidade dos cidadãos e pararem de pensar que “não vai dar em nada” e ter atitude e coragem para denunciar esses abusos.
Chiclete com Banana responde críticas de Nizan Guanaes Fonte: Mariana Mendes A TARDE On Line
O publicitário Nizan Guanaes usou o Twitter nesta terça-feira, 12, para fazer críticas ao turismo da Bahia, ao Carnaval e usou o grupo Chiclete com Banana como alvo de comparações, gerando muita polêmica.
Após afirmar que Salvador está perdendo a preferência dos turistas para outras capitais brasileiras, entre elas Florianópolis (SC), Guanaes atacou o axé e o vocalista da banda, Bell Marques: "Esta indústria do axé, personificada em Bell do Chiclete, só destroi a Bahia. Ele não é um artista. É um crooner careca. Tudo nele é mentira", disse o publicitário.
Guanaes chegou a insinuar que o cantor e banda seriam uma farsa e críticou o trabalho do grupo: "Bell é o não artista. Você já reparou que a mídia não cobre ele. Quando ele lança um CD não tem nem crítica. Um sujeito que lança um vinho tinto.", escreveu no microblog.
Para o grupo baiano, os comentários de Guanaes foram considerados ofensivos e fora de propósito. Aos seguidores do Chiclete com Banana, Wadinho Marques, tecladista do grupo e irmão de Bell, usou como resposta um ditado popular: "Deixo esse provérbio para alguém: Os cães ladram e a caravana passa", escreveu o músico no Twitter oficial da banda.
Já o diretor do Camaleão, Joaquim Neri, preferiu responder com mais clareza: "Acho que ele (Nizan Guanaes) foi deselegante, agressivo e beirando a imbecilidade. Não sabemos o porque de tudo isso, mas ele parece que está com problemas com a Bahia. Para nós (do Chiclete com Banana) ele quis agredir a Bahia e usou Bell e o Chiclete como metáfora para falar com o governo".
No Twitter, Guanaes voltou a usar o nome de Bell Marques para fazer críticas a capital baiana, que segundo ele, usa de uma falsa imagem de estrutura turística: "O Rio é a bola da vez. São Paulo está sem posicionamento. E Salvador já era. Salvador não tem praia para o turista, não tem hotel. E a orla é um favelão. Salvador está como Bell do Chiclete: careca e fingindo que tem trança".
Em seguida, Guanaes crítica a expressão "chicleteiro" usada pelo grupo para classificar seus fãs. "Eu não sou chicleteiro. Eu sou baiano. Alguém já ouviu Caetano ou Gil dizerem tal coisa: "Caetaneiro"", postou o publicitário.
Rebatendo mais uma vez a crítica de Guanaes, o diretor do Camaleão explicou a origem da palavra: "A expressão "Chicleteiro" nasceu naturalmente, em um dia de Carnaval, como forma de apaziguar a disputa entre as torcidas dos times baianos - Bahia e Vítoria - logo após Bell cantar os hinos dos clubes, como sempre faz, seguindo um discurso mais ou menos assim: "Aqui, nesse bloco, ninguém é Bahia ou Vitória, todo mundo é Chicleteiro", mostrando que a disputa dos times está fora da folia do Carnaval", explicou.
Segundo Neri, a expressão caiu no gosto dos fãs e passou a caracterizar todo o público que aprecia e segue o Chiclete com Banana pelo país, e que por se tratar de um grande público, também ganhou o título "Nação Chicleteira".
"É claro que nem ele, nem ninguém, tem a obrigação de ser Chicleteiro. Se torna um quem quer. Mas ele tem a obrigação de ser respeitoso com as pessoas que fazem sucesso a partir da Bahia, independente do estilo musical ou gosto, assim como ele também fez", rebateu Neri.
De acordo com a assessoria da banda Chiclete com Banana, os integrantes do grupo resolveram que até o momento não irão falar sobre o assunto. O vocalista do grupo, Bell Marques, principal alvo das críticas de Guanaes, está fora do país viajando com a família.As críticas de Guanaes ao turismo em Salvador começaram após uma matéria públicada pela New York Times que mostra o Estado como um dos principais destinos turísticos mundiais, incluindo Salvador.
Mas, mesmo assim, o públicitário baiano crítica a falta de avanço e desenvolvimento turístico na capital: “A Bahia que o NY Times está se referindo é Trancoso, Itacaré, Algodões, Maraú. Eu estou falando da falta de eixo de Salvador. E em turismo e cultura, suprapartidariamente, tudo que a Bahia avançou nestas duas áreas ficou para trás”, escreveu Guanaes em um dos tweets.
No entanto, ele diz que a população é que é responsável por essa falta de crescimento. "Antes que alguém queira pegar alguém pra Cristo, isto não é culpa nem do governo e nem dos prefeitos. Culpados somos nós, baianos", declarou.
Denúncia contra policiais da 12ª CP da Polícia Civil
Na última sexta feira, aproximadamente às 18 horas da tarde, fui detida na 12ª Delegacia da Polícia Civil acusada de infringir os artigos do código penal 163 (dano a patrimônio público), 329 (resistência a prisão), 331 (desacato à autoridade), mais o art. 21 (agressão a outrem), da Lei Complementar de Contravenções Penais, com testemunho de três policiais e da delegada titular daquela delegacia contra mim.
Vou explicar tudo:
Meu nome é Ludimilla Santana Teixeira, sou moradora do endereço Rua Acácia Amarela, 353, Bloco E, Apto. 303, bairro Jardim das Margaridas, próximo ao Aeroporto, sou Funcionária Pública Federal do INSS há seis anos. Depois de sair do meu trabalho na Agência da Previdência Social de Itapuã na sexta-feira (16/10/2009) e após minha ida ao SAC Boca do Rio, por volta das 17h20, fui à delegacia da Polícia Civil, também situada no bairro de Itapuã, na tentativa de registrar dois Boletins de Ocorrência referente a alguém que estava com meu CPF em seu cadastro do PIS da Caixa Econômica, fato que descobri através do sistema CNIS do INSS, e denunciar que recebi carta de convocação para o ENEM com meu primeiro nome e endereço, mas sobrenomes trocados. Os policiais se negaram registrar as ocorrências, dizendo que eu tinha que ir à Delegacia Especializada situada na baixa do fiscal, insisti em ter os boletins, até porque eles poderiam registrar a ocorrência e passar para delegacia especializada, que ficava muito longe de minha residência e trabalho. Negaram-se, novamente, daí pedi o nome do policial que me atendeu para levar a corregedoria verificar se isso estava correto. Percebi que ele iria me dar, mas preferiu antes me levar para conversar com a delegada titular Dra. Cristiane Inocência Xavier. Fui falar com ela, que me tratou de maneira ríspida e arrogante, dizendo que estava atrapalhando o seu trabalho, me retirei, mas antes pedi que me fornecesse seu nome, ela me deu um cartão com até sua matrícula. Desisti de conversar mais com ela, retornei ao outro policial para pegar seu nome também e ir embora.
Ele ia me dar, mas a delegada interfonou para ele, percebi que era ela ao telefone pelo tom da conversa, ela ordenou que não fosse me dado nada mais, então ele disse que iria cumprir suas ordens, pois eram superiores, que eu fosse embora. Diante disso, continuei pedindo educadamente, ele continuava se negando, eu disse que queria ir embora, não queria atrapalhar o trabalho dele, apenas queria o nome, se ele estivesse fazendo o correto nada tinha a temer, ele não me deu e saiu da recepção da delegacia. Outro policial veio em seu lugar, perguntando agressivamente o que eu queria lá, resumi a historia e disse que queria o nome do policial que me atendeu.
O policial começou a me gritar na frente de todas as pessoas que lá estavam presentes, coloquei o celular no bolso e gravei toda a cena, também pedi pra ele não falar comigo daquele jeito, já que o estava tratando educadamente, ele batendo na mesa, disse que quem mandava lá era ele, que eu não iria ensiná-lo como trabalhar e ele falava no tom de voz que quisesse.
Diante de tudo isso, pedi seu nome também, afinal gravei o som da conversa, agressão verbal na verdade, mas não a imagem, não iria adiantar dar queixa na corregedoria sem saber o nome do policial. Ele, claro, se negou também e foi super grosso, até me fazer ir às lágrimas, me ameaçou até de prisão, estendi os braços para ele e disse para me prender se quisesse, mas que me dissesse qual o crime cometido. Tudo foi testemunhado por meia dúzia de pessoas que lá estavam prestando queixa.
Outros policiais vieram, tentando me acalmar, a delegada desceu e começou a me chamar de problemática abusada, alguns policiais até se desculparam pelo colega, dizendo que era grosso assim mesmo, disseram pra ficar sentada que iriam resolver meu problema, continuei lá sentada, esperando. Esperei por meia hora, e decidi dar queixa de agressão do policial, quando ele estava saindo do plantão, fui até ele e tirei uma foto, enfim poderia identificá-lo.
Resultado: a delegada estava por trás de mim, tomou o celular da minha mão, outros dois policiais me pegaram por trás e me empurraram para dentro da delegacia, até então estava no rol de entrada, lá dento da sala fui agarrada por três homens e mais duas mulheres assistindo, a delegada e outra policial feminina, ela estava desesperada para apagar as fotos e vídeos, eu consegui tomar o celular dela sem violência e coloquei dentro da minha calça. Recebi uma gravata, mas entorse no braço, caí no chão, puxaram meus cabelos, colocaram os joelhos em minhas costas e pescoço, entortaram meu braço até onde puderam, eu gritava, pedia socorro, pedia que parassem, tentaram me algemar na maior brutalidade, os policiais me xingavam até que tomaram o celular, algumas pessoas assistiram assustadas, mas nada fizeram.
Mesmo depois de tomarem o celular, continuei algemada, com um braço no meu pescoço e meu braço entortado para trás, me colocaram numa cela dos fundos, na verdade era o corredor da cela dos presos de lá. Alguns policiais me olhavam com cara de sarcasmo, outros de raiva, a delegada tava furiosa, me xingava o tempo todo. Me humilharam, durante o ocorrido minha blusa abriu, meu sutiã também, fiquei semi-nua, na cela ela mandou eu tirar a roupa na frente de todo mundo, depois pediu que os homens saíssem, mandou me agachar sem calça na frente dela, me neguei, ela disse q ia ser pior porque iria me revistar pessoalmente, então cooperei.
Tudo isso começou as 17h, fui presa as 18h, e fiquei lá mofando até umas 22h. Tudo isso sem conhecimento de ninguém, já que me negaram o direito a ligação, disseram que iriam ligar para alguém da minha família, dei o número do meu irmão, pois tive medo de dar o da minha mãe que é cardíaca, ela podia passar mal. A delegada e os policiais vez por outra iam lá para me humilhar, dizer coisas do tipo “porque você fez isso?”, como se tivesse feito alguma coisa. Inclusive ela me aconselhou a não conversar com os presos, já q eles eram “bicho doido” (palavras dela), eu não conversei, mas eles sabiam que eu tava lá porque ouviram meu choro compulsivo, ela também disse pra ficar bem caladinha ou iria me colocar junto com eles. Após algumas horas lá dentro ouvi um barulho de vidro quebrando lá fora, na hora exclamei “meu Deus, quebraram o vidro e vão dizer que fui eu!”, corri para frente da cela dos presos e falei com eles, mostrei a cara e disse meu nome, já que estavam tentando me incriminar de algum jeito senti medo de me matarem e ninguém ficar sabendo, pois ninguém sabia que eu estava lá.
Meia noite aproximadamente a delegada plantonista, Dra. Itana, finalmente foi me ouvir, a titular já tinha ido embora. Comecei a me recompor achando que iria finalmente para casa. Não leu meus direitos nem me cientificou do que estava sendo acusada, queria que desse minha versão sem saber qual era a deles, então vi em cima da mesa um papel que dizia que desacatei autoridade, quebrei o vidro, agredi um policial no braço, esganei outro e ameacei todos. Fiquei super nervosa na hora e caí nas lágrimas, à delegada plantonista falava ironicamente comigo, que não adiantava chorar, que tinha que ter pensado antes de fazer tudo isso, eu afirmava para ela que não fiz, quiseram pegar minha declaração, mas me neguei, disse que só falaria na presença de um advogado ou na frente do juiz, ela ficou uma fera! Também me neguei a assinar a confissão de culpa, até porque não fiz o que disseram. Quando questionei o direito constitucional de fazer uma ligação ou avisar minha família e advogado, a delegada plantonista se negou, disse que estava assistindo filmes demais, que a constituição brasileira era só papel e que na vida real não funcionava como no papel.
Ela foi super grossa, ainda disse que eu estava complicando ainda mais minha situação. Então fiz a declaração, enquanto o escrivão anotava e a delegada plantonista estava distraída fazendo lanche do Habib’s, vi que minha bolsa estava em cima da mesa, disfarcei que estava verificando meu dinheiro, peguei meu celular dentro da minha bolsa e enviei quatro torpedos para meu irmão e mais três amigos, dizendo “to presa na p civil itapua, por favor advogado”. O meu irmão retornou a ligação prontamente, atendi contrariando as recomendações da delegada que me proibiu de tocar no telefone. Se eu não tivesse feito isso, acredito que minha família só seria avisada pela manhã, já que eles queriam me humilhar. Também não assinei as declarações porque percebi que não escreveram exatamente o que eu disse, a delegada nem queria deixar eu ler porque ficou com raiva porque usei o celular. Na dúvida não assinei nada, foi isso que os presos tinham de aconselhado.
Meu irmão chegou alguns minutos depois, eles deixaram ele me ver na cela onde estava ALGEMADA num corrimão sentada numa cadeira, ele pegou minhas coisas e telefone, começou a ligar para advogados que conhecia, também avisou minha mãe e amigos, ela quase passou muito mal! Os policiais pararam de se irônicos apenas na presença dele, mas para ele contaram a versão que tinham inventado. Esperei mais uma ou duas horas, não sei ao certo, pois não tinha relógio ou celular. Fui transferida ALGEMADA para fazer exame de corpo delito, fui conduzida no banco de trás da viatura e outro preso de alta periculosidade estava na mala. Pelo caminho fui torturada psicologicamente, os policiais faziam comentários sobre o que acontece a quem atravessa o caminho deles.
No IML me mantiveram ALGEMADA todo o momento, implorei para que retirassem já que estava machucando os meus pulsos, disseram que estavam cumprindo ordens da delegada que os informou que eu agressiva e periculosa. Lá fizeram minha identificação criminal contrariando o código penal e lei de identificação, já que eu estava com todos os meus documentos (minha carteira de habilitação, cartão de plano de saúde, cartões de crédito e contracheques do trabalho), fizeram isso para me humilhar ainda mais. Um dos policiais ainda me recomendou que permanecesse calada durante o exame, para que não retardasse os trabalhos, mas claro que não segui suas recomendações. Assim que entrei na sala comecei a narrar o fato, ainda pedi ao perito que verificasse se possuía marcas de corte por vidro já que estava sendo acusada de quebrar a janela da delegacia.
Depois do IML, me encaminharam a DERCCA em Brotas. Ao chegar lá, apesar de questionar ao agente se ele tinha ciência que possuía nível superior, fui metida numa cela comum superlotada, capacidade para 12 presas, mas tinha 36 comigo. Fiquei com muito medo, mas procurei não demonstrar. As meninas no primeiro momento debocharam e diziam q iam dormir comigo, procurei orar e pedi forças a Deus, o que me acalmou, quando elas viram minha tranqüilidade me deixaram em paz, também aceitaram de bom grado saber que estava lá por ser acusada de agredir policiais, não questionei, pois senti que estaria segura se elas pensassem isso. Minha mãe também pediu que fosse providenciado atendimento médico para mim, coisa que foi prometida e não cumprida, já que só fui ao médico ao domingo, após consegui a liberdade provisória aproximadamente às 23h do sábado.
Tava toda quebrada e doída, várias escoriações nos braços, costas, pescoço, galos na cabeça, cabelos partidos, orgulho ferido… Dormi naquele chão sujo no meio de traficantes, estelionatárias, ladras, assassinas e inocentes como eu, cada história que vi lá, muitas presas por formação de quadrilha alegando inocência, dizendo que a polícia as prenderam mesmo sem ter provas concretas. Procurei me integrar, conhecer e seguir as regras, logo achei amizades e proteção. Elas se preocupavam muito comigo, não me deixavam ficar triste e com fome, eu me recusava a comer porque não sentia vontade, elas insistiam porque não podia ficar fraca naquela hora.
Pensava tanto na minha família! Mas estava super confiante que ia sair no dia seguinte porque a advogada havia passado lá p eu assinar uma procuração para ela entrar com pedido de liberdade provisória. Algumas presas tentaram baixar minha confiança dizendo que os policiais iam interferir para o juiz não dar o meu direito. Outras presas muito legais trataram de me animar, disseram para confiar em Deus e na advogada! No sábado a noite saiu a decisão, meu irmão foi me buscar com a advogada. Que alívio!!! Fiquei 24 naquela pocilga, mas saí.
Cadeia superlotada, o dobro de mulheres, mesmo com nível superior não me deram o direito a cela especial, nem a ligação. Lá não tinha chuveiro, a água descia por uma infiltração do teto, banho só de balde, não tinha o mínimo de dignidade humana. Nunca achei que ia passar por isso, abuso de autoridade e eu que sou fichada! Tenho medo de sair na rua, de policiais atentarem contra minha vida e de minha família.
Por dentro, abalaram meu psicológico, feriram minha alma. Vou superar tudo isso com fé em Deus! Mas por enquanto está muito difícil! Estou com medo de sair na rua e ser morta, estou com medo por minha mãe, depois do que me fizeram, aqueles policiais são capazes de tudo. Por essa razão fiz as devidas denúncias na Corregedoria da Polícia Civil e no Ministério Público, também procurei a imprensa para tornar o fato público e garantir minha proteção contra os policiais daquela delegacia. Confio em Deus e na Justiça, já que na polícia não posso confiar mais. Espero que este filme de terror tenha um final feliz.